sábado, outubro 06, 2012

LISTA LAGARDE E A POCILGA POLÍTICA GREGA

O secretário-geral do PASOK, Evangelos Venizelos está a ser alvo de fortes críticas dentro e fora do seu partido
Evangelos Venizelos,
secretário-geral do Partido Socialista local, o PASOK.
Não me dá qualquer prazer que, na Grécia, sob extremo sofrimento, os media e a sociedade se vejam compelidos a varrer a casa de alto a baixo, fiscalizando o passado político recente, a fim de perceberem por que motivo chegaram ao ponto a que chegaram. Perseguir canalhices não é populismo. É uma questão de Justiça e de Sobrevivência por um bem maior e geral. Nós, portugueses encornados, estamos quase a chegar lá, ao ponto a que os gregos chegaram, mas há uis e uns ais se um qualquer caramelo do Governo ou da Sociedade Civil aponta o dedito implícito a ex-ministros imorais, ainda que blindados por Leis à Medida, e declara que a impunidade chegou ao fim: apanha logo com o Tractor Marinho Pinto e com a Sonsa Lambisgóia Gay, Minudente Constitucionalista em Tempos de Fome, Isabel Moreira, hoje sinceramente de Esquerda, numa gritaria por demissões. Grandes palhaços! Se por lá, na Grécia, o actual secretário-geral do Partido Socialista local, o PASOK, Evangelos Venizelos, teve conhecimento em 2011 de uma lista, a Lista Lagarde, com os nomes de 1991 pessoas que tinham dívidas avultadas ao fisco grego, mas guardou-a para ele, tão protector de quem manda e de quem pode, como aqui um Pinto Merdas Monteiro, por cá também temos uma Lista Escancaradamente Esconsa. A Lista são as cúpulas do Regime. A Lista é o Regime. A Lista são os donos e hegemónicos do Regime, gente que fala de Povo sem pudor, como Mário Soares, gente que vetou ainda há pouco a lei do enriquecimento ilícito, como Cavaco. Tudo cobardes! Tudo parasitas! Depois aparecem por aí uns comentadores de Regime nas TV a falar do perigoso populismo que nos vara ao apostrofarmos políticos e políticas daninhos, conducentes à nossa actual desgraça. Sim, o perigoso populismo. Para que tudo fique perigosamente como está. Ora, populistas ou não, os Gregos chegaram a ponto tal de esmagamento que já lavam a alma com a denúncia e exposição de Listas de Mamões e Ladrões, traiçoeiros dos sagrados interesses gerais do País, políticos ou não. Em Portugal, o fogo é fofo e concentra-se distraída e selectivamente nos actos carniceiros da actual governação encostada à parede pelos desígnios insondáveis da Zona Euro e do Diabo que a carrega. Esse fogo fofo tem poupado o resto da maralha intemporal no seu saque, calada, caladinha, enquanto mama, por ter mamado. É bom que por cá, na afinal piolheira corrupta onde a Justiça é simbólica e só persegue e tortura de coimas os pequenos, um dia, mesmo que ela tarde, não falhe sobre intocáveis. Reparemos nos mecanismos de ocultação e arrastamento do Regime Grego: a existência da lista grega só foi tornada pública na semana passada, tal como uma outra, com os nomes de 36 políticos suspeitos de enriquecimento ilícito. Um deles, mais digno e com um assomo de nobreza, suicidou-se nesta Quinta-feira. Os corruptos portugueses são diferentes. Comem à grande e à francesa do espólio arrecadado ao nosso sangue, vivendo numa grande ventura, gozando de ampla bênção e protecção institucional, talvez do aplauso das turbas, e certamente de uma inquebrantável paz de espírito de Esquerda. Até um dia.

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