CAVACO E O PARTIDO DOS MAL-FODIDOS

Ontem, rubros como o sangue que Soares fantasia manar de algum orifício depois do tiro-ao-cavaco, resvalaram alguns cravos defronte a Cavaco na tribuna de honra da AR, enquanto discursava. Depois de a bandeira ter feito o pino, há um ano, mais um filão simbólico para a SIC explorar. Triste País. Deprimentes media. Ainda mais triste Regime. 

Após a homilia do Presidente de todos os portugueses, menos dos Socialistas e da Ganadaria de Esquerda, levantou-se um coro de ginchos e de uivos, primeiro de uma certa deputação bem nutrida inimiga da Direita, mormente dos chorões impostores do PS, e depois daquela comentadoria agregada ao Regime e dependente do seu favor que vai ruminar aquilo que já todos sabemos que vai dizer nas TV e nas Rádios.

Fica-se de imediato ciente, ao ouvi-los, de que esta democracia só é democrática e aturável quando é o PS a desgovernar. Mais ninguém pode desgovernar. Só eles. Fora o caso, frequente e natural, de estar o PS na ingovernação nacional, não há lugar para mais nada em alternativa, para nenhum outro tentar uma perninha bem intencionada. Se não for o PS e só o PS ali, naquela competência excelsa inigualável, Soares amua, a Esquerda Parlamentarizada e Aburguesada tem um ataque de constitucionalismo anafilático, espuma e espoja-se no chão com vários aqui d’el-Rei muito compungidos. Quando ninguém está a ver, levanta-se e vai jantar aonde o Luís M. Jorge recomenda se jante com luxo, vinhos caros e boas entradas. Andar a exigir a queda antecipada e imediata dos Governos e a recusar integrar um desde pelo menos há 39 anos dá imensa fome. Temos, portanto, uma democracia comutativa como os interruptores da luz: liga-se e desliga-se, consoante seja o PS ou não a exercer o múnus da desgraça vagamente coincidente com cuidar com zelo do presente e do futuro da Nação. Não é o PS? Não se pode mexer. Não há dinheiro? Não há alternativas ao dictat externo? Pois, mas não se pode mexer. Lamento, mas apesar da maré negra de comentadores que aqui me vêm dizer que nunca mais me vão ler ou que me deveriam proibir de escrever herege ou heterodoxamente ou me apodam de uma das bestas da Direita, um reaccionário, Pró-Passos, aliás o assessor que Passos não contratou e aspira a ser contratado, um canalha e um caralho montado num porco a pedalar o triciclo da austeridade, apesar disso, terei de continuar a escrever conforme me dita a consciência e me parece o caminho isolado e raro da isenção longe da manada do Regime. Por isso, tenho para mim ter sido o discurso de ontem, o de Cavaco, um dos melhores e mais lúcidos de sempre: o consenso a que hoje o Governo-Troyka apela será tão útil à governabilidade de agora como àquela de que o PS poderá necessitar amanhã. Não se pode ser hipócrita. Nem oportunista. Nem mentiroso. Nem fazer como Passos: mentir na campanha eleitoral, ganhar eleições e depois vir fazer exactamente a mesma austeridade ou pior que esta, aquela que nem Hollande, herói antecipado do crescimento e do emprego europeus, deixou de fazer. Não sei se temos um Povo tão imbecil e ludibriável que volte a conceder votos a um PS que, no Governo, não teve zelo, mas desmazelo, ao proceder à gestão danosa de quase quase tudo e muito mais, se se provar que esta merda escandalosa dos “swaps” nas empresas públicas constitui ruína maior que um BPP ou várias PPP. Católicos, socialistas e benfiquistas, não há mal que nos não dure. Graças a Deus sou só católico. Sina do Regime. Insisto: a Revolução de Abril, além da corrente de ar fresco da Liberdade, abriu as portas de par em par a este cortejo-ventania interminável de crimes sem castigo, tão criminosos no seu dolo que seriam precisas duas ou três Esquerdas Radicais para, na habitual caganeira-maratona protestatória, e por dez anos, ir para as praças e avenidas berrar por eleições antecipadas todos os dias. O Lixo do Regime nunca mais acaba e a falta de vergonha também não. Cavaco, que tem muitos defeitos mas não os suficientes para ter feito o que Sócrates nos fez, também pode ter razão. E tem. É normal. Não é preciso ficar melindrado, frequentadores monopensantes dos Fora Radiofónicos em Portugal! O PS dos Mal-Fodidos não gostou do que Cavaco disse? Temos pena. Os donos morais do Regime têm de aprender a encaixar algumas verdades amargas. Agora em Congresso preferem encharcar o ambiente com a lama da demagogia e a banha da cobra do crescimento e do emprego, como se, à conta de parecerem bonzinhos [sim, Lello é bonzinho!] e muito sensíveis [ó, sim, ASS é sensibilíssimo!], e à conta de instarem muito prementemente a que é preciso eleições antecipadas, isso mudasse uma vírgula que fosse à Política de ‘Washington’, isto é, de Berlim. A formiga não faz trepidar a montanha. E não imagino Seguro a agarrar Merkel pelos colarinhos e a dizer-lhe: «Ouve lá, ó minha puta, em Portugal vamos para eleições antecipadas, depois de raptarmos e torturarmos o Presidente Cavaco para que no-las agende. Percebes?! O PS dos PEC I, II, III e IV, voltou. Voltará a ser Governo com 28%-30% dos votos ou menos. Limpinho. Paras com a austeridade ou não?!» E Merkel, depois de encolher os ombros ao Seguro que lhe puxava os colarinhos e depois de sacudi-los, haveria de mandar-nos foder, a nós, eleitorado, por termos dado mais uma oportunidade a um partido que nos mandou para o caralho da Troyka. Depois, poderíamos escorregar para trás mil anos com socialismo sem austeridade, socialismo sem dinheiro, socialismo sem petróleo offshore, socialismo sem vícios, cheios de estradas vazias, felizes com a melhor Constituição do Mundo para Tesos, com a Fundação Soares a imprimir furiosamente à mão NeoEscudos muito parecidos com Euros, mas valendo menos de metade, notas de quinhentos, duzentos, cem e cinquenta NeoEscudos, visitaríamos museus onde se poderiam contemplar Magalhães Avariados, esquiços da Parque Escolar, o guardanapo sujo de um pequeno-amoço com o Figo da TagusPark, um powerpoint a explicar os swaps, algumas escavações arqueológicas com vestígios de crescimento e emprego, e a história das PPP socratistas em banda desenhada. 

Cada vez me inclino que é mais ou menos isto que está para acontecer a Portugal outra vez. Depois das maravilhas de 74. Preparem-se.

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